As especulações sobre o que se quer são muito amplas.
O que realmente se quer pode ser trocado pelo o que querem por você? O querer próprio
tem força em um mundo coletivo? E o querer de duas que forma uma só? E o querer
de vários que convergem em uma luta social, humanística e legitima? Querer é
perigoso por suas implicações. Ou seja, querer te move. E como tal pode te cegar;
te mudar; te cortar; te fazer virar as páginas e esquinas. Querer não é
abstrato, pois sempre são materializadas na raiz de suas ações, palavras e
escolhas. Querer exige um trabalho algoz não calculado na simplicidade do
feitiço que é o querer.
Quando se quer, busca-se. E ao ter, as responsabilidades são acumuladas
e não tem como ser dissolvido. Apesar das mesmas terem como ser facilmente distraídas
e em certa medida até ignoradas mais sabe como é... Toda atriz principal
reaparece no show. Tudo que quis foi não ser mais um monstro. Essa possibilidade
de tornar-se um. Tem origem no que quero
e como lido com isso! Querer é confuso. Não tenho como querer e atrair os meus
quereres mentalmente é preciso ação, labuta, garra, coragem, foco, força e por que
não um pouco de fé?
Não posso querer carregar o mundo se não sei assertivamente
o que me segura e o que pode me derrubar. Não posso resolver tudo se não sou
resolvida por ninguém. Não posso querer ser a visão do outro. Não posso me desfazer
de mim pelo outro. Não posso querer dar quatro passos, tenho dois pés. Não
posso ou não quero mais?
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