Escrevivências

domingo, 6 de julho de 2014

Base III

E mais uma vez cá estamos, diante do mesmo ponto, diante da mesma problemática... A gente nunca imaginou que nossos dias em algum momento iriamos ter que enfrentar responsabilidades que se tornam gigantesca a cada escolha, atitude e palavra pronunciada.

Era muito mais simples, era mais leve, era... Passado. O tempo nos fez crescer, ao menos em idade, e agora não esquentamos mais a cabeça pra articular o plano perfeito que nos permita filar aula, sair do castigo, ficar até mais tarde brincando... Saímos da égide de sermos crianças, adolescentes. Crescemos, e segundo as regras do ciclo natural da vida, agora é preciso assumir a demanda de ser adulto e amaRdurecer... Parece-me que esta transformação não sentencia o fim na mágica que é mais latente na infância, na adolescência, na fase das descobertas. Pelo contrário, ela apenas apresenta o desafio que difundir este encantamento em todas as outras dobradiças que a vida tem. Crescer é isso: tornar-se Peter Pan, incorporar Sininho e assim agregar encantamentos todos os dias na severa realidade, nas dores, nas percas, nas obrigações, nos compromissos, nos destinos e em todos os rumos que a vida toma e não permite pausas.

Confesso-te que se possível fosse não te deixaria sentir nada de ruim, te poupava das batalhas, das punições, iria em teu lugar para todas as partes algozes que tu estivesse que passar.  Confesso. Se possível fosse, seria capaz de só te proporcionar a leveza do mundo, a doçura do amor e a liberdade de viver do simples, do belo e essencial. Confesso, copiosamente, se depende apenas de mim, resolveria todos os teus enigmas, quebra-cabeças, e preencheria todas as lacunas. Seria mais fácil assim (?!.) Não existira essa sensação de frustação, de angustia, de desespero. O campo da intensão tem um alcance desmedido. Percebe? Minha confissão é prova disso. Mas, pergunto: concretamente esta, ou qualquer outra intensão, tem a capacidade de solucionar? De resolver? De ir a fundo? De criar elos? De sincronizar alma, corpo, mente e coração? Não tem. É substancial, frágil. O coração, o corpo, a mente e alma se retroalimentam de mais que a intensão, que vontade. É preciso ir além do abstrato que o pensar nos coloca. É indispensável trabalhar-se na ação, na pratica para estabelecer, equacionar e nutrir uma relação seja ela qual for.

É tão confuso, delicado e tênue essa questão de intensão e gesto que o impasse acaba em sua maioria sendo inevitável. E não há tensão por isso, só vira quando permanecemos nele. Quando a gente por diversas vezes tecemos a mesma cena em diversos ângulos e não nos damos contas que paralisamos nos replay. O impasse transmutasse em mal-estar quando a gente cria raiz nele e se conforta, e se acomoda na validez de ter razão em algum ponto de vista!
É preciso transgredir. Violentar-se. Romper bruscamente e em definitivo com que te faz ser circular e ímpar para que seja possível seguir lealmente por onde tu tens paixão, por onde pulsa. Você pode se reinventar. Podemos! Há força se houver coragem. Tenhamos a esperança suprimido o medo, e a entrega maior que espera. Façamos sem a expectativa da troca mais saibamos recebe-la se por ventura ela surgir.  Que a gente se desprenda do como deveria ser e viva intensamente exatamente da forma que foi. (ônus e bônus)

Quero caminhar e permanecer ao seu lado. Quero continuar a construir solidez, plenitude, companheirismo, amizade e amor com você, com ela, entre a gente e em nós. Quero coletivamente que individualmente a gente se fortaleça em tudo. Quero materializar ideias.

Ultimamente esses e outros quereres se manifestam em distância por que ainda não alcançamos harmonia nesse sentido. Ao menos não na pratica, no dia-a-dia, na labuta. Por que esse é o tipo de guerra que se traça só. É o passo que se dar por si e apenas. Não tem outra forma. Sinto que dei esse passo, tive as circunstâncias e fui. Extremos intensos germinaram transformações. Mergulhei em mim por tudo que passei, entrelacei na alma uma mistura do que li e vivi revigorando o coração com doses homeopáticas de vitalidade. E isto nos colocou um limite, uma disparidade velada. Vamos nos realinhar, sei disso por tudo que somos. Não sei como, quando... Não sei dos riscos que isto pode representar, não sei e não saberei até que chegue a hora de descobri.

A dimensão desse “momento” me assusta um pouco. O “se” sempre inquieta mais sei que foi inevitável não caminhar a passos largos por dentro do que exprimir de síntese do caos. E aqui estou, deslocada do que outrora era aconchego, vibrante e habitual. Torço que este renascer incorpore-se ao que não dilui ao que for genuinamente verdadeiro. Torço que o encaixe se restabeleça em breve. Torço por você, por elas, por nós e por mim.

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