E mais uma vez cá estamos, diante do mesmo ponto, diante da mesma problemática...
A gente nunca imaginou que nossos dias em algum momento iriamos ter que
enfrentar responsabilidades que se tornam gigantesca a cada escolha, atitude e
palavra pronunciada.
Era muito mais simples, era mais leve, era... Passado. O tempo nos fez
crescer, ao menos em idade, e agora não esquentamos mais a cabeça pra articular
o plano perfeito que nos permita filar aula, sair do castigo, ficar até mais
tarde brincando... Saímos da égide de sermos crianças, adolescentes. Crescemos,
e segundo as regras do ciclo natural da vida, agora é preciso assumir a demanda
de ser adulto e amaRdurecer... Parece-me que esta transformação não sentencia o
fim na mágica que é mais latente na infância, na adolescência, na fase das descobertas.
Pelo contrário, ela apenas apresenta o desafio que difundir este encantamento
em todas as outras dobradiças que a vida tem. Crescer é isso: tornar-se Peter
Pan, incorporar Sininho e assim agregar encantamentos todos os dias na severa
realidade, nas dores, nas percas, nas obrigações, nos compromissos, nos
destinos e em todos os rumos que a vida toma e não permite pausas.
Confesso-te que se possível fosse não te deixaria sentir nada de ruim,
te poupava das batalhas, das punições, iria em teu lugar para todas as partes
algozes que tu estivesse que passar. Confesso.
Se possível fosse, seria capaz de só te proporcionar a leveza do mundo, a doçura
do amor e a liberdade de viver do simples, do belo e essencial. Confesso, copiosamente,
se depende apenas de mim, resolveria todos os teus enigmas, quebra-cabeças, e
preencheria todas as lacunas. Seria mais fácil assim (?!.) Não existira essa
sensação de frustação, de angustia, de desespero. O campo da intensão tem um
alcance desmedido. Percebe? Minha confissão é prova disso. Mas, pergunto:
concretamente esta, ou qualquer outra intensão, tem a capacidade de solucionar?
De resolver? De ir a fundo? De criar elos? De sincronizar alma, corpo, mente e
coração? Não tem. É substancial, frágil. O coração, o corpo, a mente e alma se
retroalimentam de mais que a intensão, que vontade. É preciso ir além do abstrato
que o pensar nos coloca. É indispensável trabalhar-se na ação, na pratica para estabelecer,
equacionar e nutrir uma relação seja ela qual for.
É tão confuso, delicado e tênue essa questão de intensão e gesto que o
impasse acaba em sua maioria sendo inevitável. E não há tensão por isso, só
vira quando permanecemos nele. Quando a gente por diversas vezes tecemos a
mesma cena em diversos ângulos e não nos damos contas que paralisamos nos
replay. O impasse transmutasse em mal-estar quando a gente cria raiz nele e se
conforta, e se acomoda na validez de ter razão em algum ponto de vista!
É preciso transgredir. Violentar-se. Romper bruscamente e em definitivo
com que te faz ser circular e ímpar para que seja possível seguir lealmente por
onde tu tens paixão, por onde pulsa. Você pode se reinventar. Podemos! Há força
se houver coragem. Tenhamos a esperança suprimido o medo, e a entrega maior que
espera. Façamos sem a expectativa da troca mais saibamos recebe-la se por
ventura ela surgir. Que a gente se
desprenda do como deveria ser e viva intensamente exatamente da forma que foi.
(ônus e bônus)
Quero caminhar e permanecer ao seu lado. Quero continuar a construir solidez,
plenitude, companheirismo, amizade e amor com você, com ela, entre a gente e em
nós. Quero coletivamente que individualmente a gente se fortaleça em tudo.
Quero materializar ideias.
Ultimamente esses e outros quereres se manifestam em distância por que
ainda não alcançamos harmonia nesse sentido. Ao menos não na pratica, no
dia-a-dia, na labuta. Por que esse é o tipo de guerra que se traça só. É o passo
que se dar por si e apenas. Não tem outra forma. Sinto que dei esse passo, tive
as circunstâncias e fui. Extremos intensos germinaram transformações. Mergulhei
em mim por tudo que passei, entrelacei na alma uma mistura do que li e vivi
revigorando o coração com doses homeopáticas de vitalidade. E isto nos colocou um
limite, uma disparidade velada. Vamos nos realinhar, sei disso por tudo que
somos. Não sei como, quando... Não sei dos riscos que isto pode representar,
não sei e não saberei até que chegue a hora de descobri.
A dimensão desse “momento” me assusta um pouco. O “se” sempre inquieta
mais sei que foi inevitável não caminhar a passos largos por dentro do que
exprimir de síntese do caos. E aqui estou, deslocada do que outrora era aconchego,
vibrante e habitual. Torço que este renascer incorpore-se ao que não dilui ao que for
genuinamente verdadeiro. Torço que o encaixe se restabeleça em breve. Torço por
você, por elas, por nós e por mim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário