“É preciso ter força, ter raça, ter sonho sempre...
A morte é uma parada muito bizarra e
quando de algum modo ela se apresenta na rotina, no dia a dia das pessoas, ela desencadeia
os mais variados sentimentos. Deve ser alguma patologia humana isso de refletir
sobre si, sobre sua vida, sobre como seria se tais perdas fossem com você ou se
você fosse a perca, quando a morte em algum grau se faz presente... Assim como
sentimentos a morte é algo literalmente abstrato e em certa medida tornou-se
natural na atual e irritante barbárie que vivemos. Afinal, morrem gente todos
os dias... Enfim, falar sobre morte não é o cerne da questão.
A parte
mais critica de ter uma vida é lidar com as escolhas que são feitas por ela,
nela e com ela. Quantos sacrifícios são feitos para sentir-se vivo, quantas
energias são dedicadas para exercer o oficio de ser alguém que constitui laços,
tem desejos, direitos e obrigações.
Quantas coisas são mortas pela falta da
presença, da palavra, da ação, do cuidado. Não se trata de estar vivo, trata-se
de não deixar-se morrer. Faz-se necessário ter claro sobre si o que realmente te
faz seguir na luta de viver e ter vida. Porque quando se duvida ou relaxa sobre
isso, tudo passa ser uma questão de sobrevivência e sobre isso digo: sobreviver não faz sentido, é vazio, opaco
e profundamente algoz.
A
diferença entre estar vivo e sentir-se assim, está nas coisas que são feitas e não
necessariamente no desenvolver delas. Por vezes, o mais importante é o caminhar
e não simplesmente a linha de chegada.
O medo De ficar só. De desagradar
familiares. De não ter sucesso. De não ter amigos de verdade. De não ser alguém
importante. De não amar. De não ter valor. De não ter reconhecimento. De ser
incapaz. De errar. De decepcionar. De trair-se. De perde-se. De falhar. De desistir.
São
brasas que devemos deixar virar cinzas para sermos em definitivo incendiários
de um fogaréu constante de coragem, fé e
indignação.
O mais importante sobre ter disposição de
fazer algo é fazer com que ela seja transfigurada do abstrato para o concreto,
para o real, para tudo que possa que ser demonstrado.
É
preciso ter muito mais que a própria vida como prova de existência. Pois, a
vida em si não basta, não cabe e não nutri. Ela precisa de mais, mais e mais.
Ela tem uma sede insaciável de acontecimentos e o que determina o peso deles é
o lado que você está sobretudo o que você mantém.
A
vida não é um muro de lamentações, nem brecha para anular-se muito menos
desacreditar-se. A vida assim como a morte é uma oportunidade constante de ir
além do que se vê.
...pé na vida."
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