Escrevivências

sábado, 18 de outubro de 2014

Votar em Dilma.?!

Infelizmente a nossa realidade é extremamente algoz. Infelizmente a nossa atualidade é de um mundo machista, homofóbico, desigual. Infelizmente o que prevalece é a lógica do capital, do sistema capitalista, do agronegócio, do imperialismo. Ou seja, a lei do dinheiro, da acumulação de riquezas. Infelizmente a barbárie da dor, da morte, da exclusão, da privação, da miséria é uma infeliz presença na vida do povo brasileiro. Se fomos pensar em níveis de escala para a maldita opressão existente no mundo, talvez, a gente concorde que sobretudo quando se é negra, pobre, mulher e homossexual as coisas tende a ser mais truculentas do que já são.

Sou aviltada, violentada, oprimida, repelida pelo discurso do ódio de diversas formas, todos os dias. Por que além de não compor o lado tucano, o lado da direita, que estimula essas e tantas outras mazelas. Sou uma mulher negra, da classe trabalhadora e homossexual. Vivencio na pele não só as contradições da nossa torpe e repugnante realidade como compreendo que é preciso continuar firme naquilo que sempre existiu e nos foi/é velado. Me refiro a resistência, a luta presente durante todo esses séculos de exploração, e domínio. Eu acredito na transformação das relações de mundo,de trabalho, de vida. Acredito no extermínio do machismo, do capitalismo, da desigualdade. Acredito na Soberania Alimentar. Acredito no Poder Popular. Acredito na Agroecologia. Acredito na capacidade da organização que desorganiza. Acredito que a cabeça pensa onde os pés pisam e que a prática é o critério para a verdade.


E ao acreditar, assumo responsabilidades e compromissos na intencionalidade de tornar reais estes anseios e como não estou sou só, a indignação que impulsiona para a ruptura desse modelo desumano que é o capitalismo e todo o seu arcabouço é diariamente fortalecida. Assim sendo, votar em Dilma, votar 13, na atual conjuntura, é o minimo que devo fazer. 

Antes de continuar, gostaria de deixar claro: que não acredito que tais desejos de mudanças serão alcançadas através do voto e muito menos que caminho para tal, seja através no nosso sistema politico brasileiro. Não sou ingenua a este ponto. Entretanto e infelizmente, é assim o "funcionamento" do nosso estado de direito e democrático, é preciso eleger um governo, é preciso ir as urnas e eleger "nossos" representantes, repito: infelizmente é preciso.

Então, não tendo como desprezar a dinâmica de organização no meu país, voto em Dilma, voto 13, não apenas por uma questão de consciência de classe mais principalmente pela possibilidade concreta de mais avanços para o povo brasileiro além dos já conquistados em uma década de governo apesar dos acúmulos de retrocessos daqueles que outrora estavam no poder a 500 anos e agora (e sempre) querem retornar.


Definitivamente, a minha posição de votar em Dilma, não me torna acrítica, ao seu governo... até por que no que tange a reforma agrária, as demarcações das terras indígenas, agricultura familiar, a luta das mulheres e a criminalização da homofobia não tivemos avanços concretos algum e inclusive em alguns pontos as alianças e concessões feitas nos trouxeram além da estagnação um retrocesso. Mais ainda assim votei, e votarei novamente em Dilma. Enquanto for preciso terei a disposição de lutar pelo que acredito. Enquanto for preciso não hesitarei apesar dos riscos e contradições. Enquanto preciso for estarei na estrada, caminhando, pisando firme e forte rumo as transformações e rupturas. 


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