Escrevivências

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

continua escrito em 19/08/2014 ás 18:02, publicado hoje.

A exigência bloqueia a inspiração, o pensar bloqueia a imaginação e cada vez mais vai se tornando  raro descrever sentimento tão intensamente, tão fundo, tão reais, tão espontaneamente...Algo há de acontecer, algo tem que acontecer. Movimentar-se-ei, vida! é apenas isso que te peço porque não tão de repente, saber das coisas ficou chato, ficou insosso...

É um estado de fragilidade disfarçada, isso de não saber verdadeiramente o que se quer. Tu fica vulnerável, a mercê do julgamento do outro, do querer do outro e tudo absolutamente tudo vira um carrossel desgovernado. Gostaria apenas de perceber nesse momento algum sentido que determine, que seja a âncora desse navio de embarque chamado vida.Existe muitas coisas das quais eu sei, tipo, aquelas coisas que a gente não tem dúvida e ás vezes são justamente elas que nos disponibilizam caminhos tortuosos. 

Geralmente as pessoas costumam dizer que a experiência é algo apenas bom, espécie de talismã de vida. fonte de sabedoria... acho que as mesmas esquecem que algumas trazem marcas tão profundas que te aprisionam no medo de sentir de novo, pra evitar qualquer remota possibilidade de reviver aquilo que um dia foi extremamente algoz. E aí, a tal experiência te faz  as vezes manter a distancia, apertar o freio, esconder as chaves e disponibilizar cadeados. E quando a gente percebe determinado fio da meada, ou muita coisa foi perdida ou não foi devidamente vivenciada. E velha lacuna se faz presente além do nó na garganta e o fortalecimento da experiência que previne, que anula, que boicota, cresce e ganha espaço.

Sabe qual foi a ultima pergunta que me fiz sobre você? Depois que dei pause da "disputa" de espaço, o que em  essência te atrai, te move, te consome. Quais são tuas ideias e como elas interagem em sua pratica? Sem drama, sem crise, sem peso. Assim que eu te enxergar nua nesse sentido, estaremos reconectadas. Antes disso não dá, travei porque estou convicta de que a genuína reflexão conduz a pratica e eu ainda enxergo muito do mesmo em coisas que já compartilhamos teorias que supera diversas questões... então estamos em um impasse, em um hiato.

Sinceramente não sei por o desfecho dessa insatisfação, inquietação... por ora, eu sei que hás muitas perguntas para formular porque de concreto mesmo só as interrogações perambulando na mente e isso é péssimo.  Mais, entretanto, contudo, toda via... eu acredito na capacidade de ser e que todas as pessoas do universo a possuem. Eu acredito nisso muito fidedignamente. Somos capazes de ser, de nos tornar aquilo ao qual francamente nos disponibilizamos. Acredito que essa capacidade tem fonte e origem nos exercícios diários que podemos realizar em função daquilo que buscamos. Acredito também que isso exige e condiciona a um passo árduo e exacerbado de enfrentamento com a dor e a delicia de ser o que exatamente se é. E a partir daí trabalhar-se no que compreender ser importante e no que sentir vontade. 

Por mais que as circunstâncias propiciem um desligamento de emoções, lá no âmago, a gente sempre se importa, deseja, tem sonhos, ama, quer amar e ser amada. Pode até não ser confessado, demonstrado, percebido de primeira, nem de terceira... mais é inevitável. Os queres existem, uns chegam a urrar enquanto outros de tão silenciados precisam ser atiçados mais de qualquer forma eles estão lá e é preciso lidar com eles... e se não for nós mesmo? será quem? Ainda que assumir algum querer tenha a possibilidade de desconfigurar o que foi estabelecido no campo do ideal, não entremos em pânico, o que for real basta pois a  ação constrói e a pratica é o critério pra verdade.


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