Escrevivências

terça-feira, 22 de abril de 2014

♀► Fibra Moral ▬

Sabe aqueles instantes que ao vê uma cena que corresponde com suas ideias de amor, tu sorrir loucamente. Transborda aquele sorriso bobo, lindamente genuíno e imensuravelmente singelo? ... Pois bem, cá estou eu a sorrir!

Conseguir imaginar um desmedido arco-íris, nesse mundo tão cinza, é no mínimo algo pra se curtir intensamente. O que me traz a sensação de ainda ser um pouco "criança". Acontece, que quando se é criança, é de costume fantasiar... e inevitável prender a imaginação na realidade. Quando criança, a gente vive facilmente todos os sentidos em extremos. Quando criança a gente, geralmente, não abre mão de uma aventura, de um medo, de um friozinho na barriga...

Descrever sensações, pra mim, é um talento que considero raro. Acho que dificilmente consigo colocar em palavras nítidas a concretude do que sinto. Antes, a um tempo atrás, eu acho que conseguia. Hoje, eu não sei. Pelo menos acho que não sei só escrever sentimento, hoje tem intervenções de ortografia, pontuação a intenção de. Enfim, arte do tempo porque posso dizer que desde de sempre  tenho o costume de escrever sobre o que sinto, penso, passo ou elucubro.

E ao rever meus escritos, percebi que com passar do tempo, as sensações seguem outros rumos que, ás vezes, aparecem com outro tom apesar de ter a mesma melodia de tempos atrás. Não sei, se o que escrevo aqui, agora, é algo absoluto ou comum a maioria das pessoas do mundo. Mas comigo, -até então- tem funcionado assim:

Alguns traços na escrita permanecem o mesmo, alguns princípios de ideais se mantém, se repetem e se aprimoram. No quesito "fantasia" a realidade incorporou-se mais não infectou nem criou raiz, muito menos inibiu a imaginação, a vontade, o querer e a capacidade de sonhar. Quando o assunto é liberdade, a mesma libertou-se do egoísmo de ser desejada apenas no plano do indivíduo e passou a ser compreendida, de que  para ser livre de fato além de  uma grande medida de disciplina, o seu gozo só tem sentido se for coletiva. A rebeldia saiu do plano da estupidez e da "malcriação" e ganhou sentido de luta e organização. As revoltas e incompreensões reconheceram o inimigo, obtiveram respostas e transformaram-se em indignação, em combustível, ou seja, em força motriz de mim.

Não tenho dúvidas que nessa vida existem lacunas. Estas, são toda a parte da qual nunca sabemos ou nunca saberemos com exatidão o motivo que elas aconteceram, nem a forma. O bom e velho "se" que inquieta, provoca, perturba e nunca, repito: NUNCA soluciona. Estas lacunas compõe o limbo da historia de vida da maioria de pessoas. Entretanto, na baliza dessa verdade existem determinantes que -peço licença poética- e chamo de "fibra moral" que colore o que de preto e branco surge nas necessárias oscilações dessa babilônia que insistentemente chamamos de vida. Enfim.

Existe um protocolo midiático para todas as coisas colocadas como necessárias e importantes pelo cunho da sociedade como um todo. Impregnada em todas as relações... amizade, amor, família, trabalho. Todas. Das mais abstratas as mais poupáveis. E esse "protocolo" influencia, atinge diretamente ao que aqui me refiro de fibra moral. Que consiste nessa construção sólida a tal ponto que não só resista mais como também ultrapasse, quebre, rompe essas barreiras que são rotineiramente colocadas como um protocolo a ser seguido por todos. Como se a formula fosse única e que assim sendo ainda contemple toda a gama diversa e plural existente nesse mundo aí a fora. Essa ditadura, disfarçada e maquiada através de concutas sociais propiciam ao indivíduo marginalizado por essa sociedade capitalista, machista, imperialista e patriarcal  inúmeros conflitos. Choques entre as reais necessidades e a mais valia  incutidos como necessidade.

Para mim, está colocado todos os dias, o desafio de encher-me de vida, de esperança, de indignação, de amor militante capaz de transformar a mim e ao mundo na prática. Ter garra para defender até a morte se necessário for, aquilo que eu acredite. O desafio de não me omitir, não me acomodar e de não conviver com pessoas que fizeram essa escolha ainda que custe muito caro.O desafio de não deixar a peteca cair e ao mesmo tempo não perder a sensibilidade, o carinho. Amadurecer, endurecer e jamais perder a ternura. A delicadeza. O sonho. É um enorme acinte encarar a labuta e manter-se literalmente fiel ao que se prega em todos os sentido pois infelizmente atualidade aponta outros horizonte e querer fazer tudo a ferro e forro apesar de soar nobre na crueldade da realidade se torna estupidez. 

É preciso, por vezes, fazer o que não se quer pra daí conseguir passar a fazer apenas o que se deseja. É um trabalho intenso, duradouro e em certa medida eterno de ir para pratica, avaliar, formular e ir praticar novamente. E, ao meu vê, a possibilidade que aspira mais confiança é o caminho do firmamento em si, para si, com si antes de qualquer escolha, antes de qualquer passo, antes de qualquer tudo ou nada. Porque a estrada é árdua, é avassaladora em todos, repito: TODOS os sentidos tangíveis ou não. E sendo assim é preciso que se tenha os pesos e as medida firmadas em seu âmago de forma inabalável, intocável, tendo a clareza e a firmeza de isto significa a sua verdade. E estas não podem de forma alguma serem constituídas com o externos, eles tem uma contribuição incontestável nisto que aqui me refiro de fibra moral. Contudo, as grandezas da fibra moral veem do interior de cada um, veem da alma, vem do coração e é esta parte que possui uma extrema importância na fundamentação de vida, de estrutura das pessoas, pois as influências do externo contabilizam mais não podem predominar.

Se não esta claro o que quero dizer, peço desculpas. O dilema entre a intenção e gesto recai também sobre a escrita ou melhor sobre a minha escrita.  Inclusive, citei isso em linhas anteriores desse mesmo texto.


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