Escrevivências

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Perceba.

Você sabe. Você está. Você é. Você faz. Você quer. Você tem.

Corpo quente e coração acelerado são estas as minhas percepções aliadas às lagrimas suaves e doces que escorrem pelo rosto... Materializando assim, uma súbita dor e angustia. Estas sensações estão aqui perdidas, sem nome e muito menos com uma origem que eu consiga identificar.

... Acredito que muito do que sentimento tende a ter um pouco desse mistério. Acabamos criando muitos segredos em torno dessa 'coisa' de sentir e de ser sentida, às vezes, é extremamente complicado tentar falar ou escrever acerca 'disso'.

Percebo que estou a cada dia mais sensível... Sobretudo quando sinto e desperto para a desgraça em que o mundo com sua estrutura algoz de opressão... De desigualdade, de lesobofia, de preconceitos, de dor, de fome de miséria e principalmente de morte que infelizmente vêm dominando e, por conseguinte coisificando, aviltando e destruindo as pessoas.

Queimei algumas vendas e passei a enxergo também mundo como ele é. E o que vejo e sinto rasgar minha alma é muito duro. É forte. É cruel. As relações de mundo socialmente construídas e mantidas são relações de pessoas colocadas para o consumo, para a mercadoria. Imersa na alusão da ilusão de ter vida e o pior de vivê-la livremente.

 Colorir tudo que é cinza. Colorir tudo que estiver em 'branco'. Ecoar pelos quatros cantos gritos de liberdade. Despertar um rastro de rebeldia em cada tempo de suspiro. Indignar-se a cada injustiça. Romper barreiras. Multiplicar as fissuras desse sistema que eu tenho asco. Incorporar as força de todas as lutadoras. Fazer de cada suor derramado advindo do trabalho escravo/explorado a fonte para continuar, tornando assim o próprio corpo mais uma ferramenta na luta de classes aliada a classe trabalhadora, operaria e camponesa.

Tudo tem sido bastante difícil... Incompreensões existem de todos os lados sobre a minha condição de estar em movimento e por isso fazer 'sacrifícios' que não são percebidos quando os olhos estão voltados para o próprio umbigo que jamais concedera espaço a gestos de delicadeza, de troca, de compreensão, de respeito e de carinho. Aprendi que um elo só se desfaz quando um dos lados fracos, mas a pratica derruba por terra alguns aprendizados teóricos...

Aonde esta a pedrinha de ruído dessa nossa comunicação???  

Gostaria de algumas 'certezas' sem as influencias do racional... Do exercício... Da desconstrução. Gostaria de ser acolhida por tudo que latejassem genuínas verdades, sorrisos bobos e loucuras desmedidas... Gostaria de um pouco mais de tudo que for menos, esquecido ou considerado pequeno. Gostaria que o beijo fosse além do contato de lábios com outros lábios ou em qualquer outra parte de um corpo com poros abertos. Gostaria de ouvir o lado de lá e apenas perceber o coração, a alma e o corpo absorver reagindo a cada palavra, a cada ação e a cada ciclo. Estou falando de pele, de olhares de alma. Estou me referindo a tudo que for intrínseco e âmago do verbo amar conjugado em suas infinitas possibilidades.

Meu corpo abriga o quente e o frio assim como o meu coração é doce e forte. Minhas palavras são incisivas pois carregam o 'peso' da minha história, das minhas marcas e da realidade que enxergo. Assim como minha mente tem guardada todas as memórias de forma intensamente viva. 

Respiro e sinto o ar circular em todo a minha estrutura... Espalho o oxigênio profundamente na tentativa de aliviar o que de preso me faz oscilar. O que de calado me deixa vulnerável. O que de silenciado me sufoca. Não guardo rancores, apenas estou enxergando muito nitidamente esse abismo que estar sendo criado e EU tenho muito MEDO disso. Tenho muito medo por que eu sei que não tem volta. - ainda que por você eu voltasse - não dá. Já me despi já me desconstruir, já internalizei o 'meu novo mundo'.

Dizem que a ignorância é em certa medida sinônimo da felicidade. Nunca tinha concebido isso... Até esse momento. Em que saber foi literalmente igual a beber acido sulfúrico. Que ao entrar em ação corrói, destrói, extermina tudo que ele toca. 
Assim foi. Assim que é. E assim que tem sido.
     

   Nem sempre tenho a paz que quero... Mais quando busco, consigo acha lá!

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