Escrevivências

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Segredos

Sempre existem segredos. As pessoas infelizmente de um jeito ou de outro sempre escondem algo... Quando não é de alguém, é de si próprio. E isso cria uma teia desmedida entre a mentira e a verdade. Entre a confiança e a segurança. Entre a consciência e o cotidiano! Os motivos de ocultar algo para alguém geralmente perpassa pelo medo de ser rejeitada. Mas, hoje acredito que o medo não exista. É o perigo que existe. E o medo é só um produto dele. Que paralisa, que cega, que mata. Não dá pra construir seja lá o que for com o oculto, ainda que não exista nada, repito nada! Oculto que um dia não venha a se revelar. Acontece que verdade é inerente ao solido, ao concreto, ao seguro. É preciso assumir os riscos e revelar-se por inteiro... Ainda que custem marcas, cicatrizes, feridas, dores, lagrimas, solidão, julgamentos precipitados e perdas. Afinal, laços não podem ser cortados, só desfeitos e antes disso, eles precisam de fato existir.
 É surpreendente a forma e a capacidade que nós temos de negligenciar as relações que estabelecemos. Negamos o completo com o decorrer do tempo, criamos sinais que nos fazem parar, mudar a rota ou simplesmente ignorar o que lateja. Colocamos-nos em um ritmo de pouco falar sobre si por preferir não passar novamente pelo que outrora havia sido dito e daí, partimos para historias contatas a partir do presente, sem consultar o passado e sem perspectiva de futuro... Desdobrando-se em uma vida com grandes pausas, intervalos, abismos, buracos, vazios e certezas absolutas que o melhor é se guardar e que ter segredos é sinônimo de porto seguro em si.
As contribuições para manter os segredos às vezes são valores e princípios adequados às conveniências próprias. Que geralmente tendem em sustentar a fuga de responsabilidades com as escolhas feitas. Mentir é enganar-se. É um ultraje a si mesmo. Antes de qualquer manobra realizada. Ter segredos é o viés da autodestruição. É só observar atentamente ao seu redor que o seu olhar logo terá a dimensão do quanto é desnecessário permanecer nessa prisão. O quando é possível ser exatamente como se é e ainda assim conseguir ser ‘melhor’ e, sobretudo perceber que não existe um lado só da ‘moeda’ e todxs nós somos parte da contradição de nossa verdade.
Pra continuar inteira apesar dos destroços é preciso deixar que a verdade ecoa-se pelos quatros cantos. É preciso carregar o imensurável fardo da verdade e sentir o suor escorrendo no rosto com uma lâmina afiada cortando a pele. É imprescindível acatar as ações de chorar, de perder-se e entregar-se. Para endurecer sem perder a ternura é indispensável manifestar-se por completo em todos os extremos. Não dá pra omitir, mentir, ocultar... Sem trancafiar-se no redemoinho da insegurança e da dúvida, petrificando assim os sorrisos bobos, os olhos brilhando e as borboletas no estômago.
Por fim é importante ressaltar que segredos é um acido que coroe os sentimentos mais sublimes e genuínos que existem. É o fim de qualquer inicio ou meio, pois a sua raiz é perversa e cruel, portanto liberte-se.

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