Sempre existem segredos. As pessoas infelizmente de um jeito ou de outro sempre
escondem algo... Quando não é de alguém, é de si próprio. E isso cria uma teia
desmedida entre a mentira e a verdade. Entre a confiança e a segurança. Entre a
consciência e o cotidiano! Os motivos de ocultar algo para alguém geralmente
perpassa pelo medo de ser rejeitada. Mas, hoje acredito que o medo não exista.
É o perigo que existe. E o medo é só um produto dele. Que paralisa, que cega,
que mata. Não dá pra construir seja lá o que for com o oculto, ainda que não
exista nada, repito nada! Oculto que um dia não venha a se revelar. Acontece
que verdade é inerente ao solido, ao concreto, ao seguro. É preciso assumir os
riscos e revelar-se por inteiro... Ainda que custem marcas, cicatrizes,
feridas, dores, lagrimas, solidão, julgamentos precipitados e perdas. Afinal,
laços não podem ser cortados, só desfeitos e antes disso, eles precisam de fato
existir.
É surpreendente a forma e a capacidade
que nós temos de negligenciar as relações que estabelecemos. Negamos o completo
com o decorrer do tempo, criamos sinais que nos fazem parar, mudar a rota ou
simplesmente ignorar o que lateja. Colocamos-nos em um ritmo de pouco falar
sobre si por preferir não passar novamente pelo que outrora havia sido dito e
daí, partimos para historias contatas a partir do presente, sem consultar o
passado e sem perspectiva de futuro... Desdobrando-se em uma vida com grandes
pausas, intervalos, abismos, buracos, vazios e certezas absolutas que o melhor
é se guardar e que ter segredos é sinônimo de porto seguro em si.
As contribuições para manter os segredos às vezes são valores e princípios
adequados às conveniências próprias. Que geralmente tendem em sustentar a fuga
de responsabilidades com as escolhas feitas. Mentir é enganar-se. É um ultraje
a si mesmo. Antes de qualquer manobra realizada. Ter segredos é o viés da autodestruição.
É só observar atentamente ao seu redor que o seu olhar logo terá a dimensão do
quanto é desnecessário permanecer nessa prisão. O quando é possível ser
exatamente como se é e ainda assim conseguir ser ‘melhor’ e, sobretudo perceber
que não existe um lado só da ‘moeda’ e todxs nós somos parte da contradição de
nossa verdade.
Pra continuar inteira apesar dos destroços é preciso deixar que a
verdade ecoa-se pelos quatros cantos. É preciso carregar o imensurável fardo da
verdade e sentir o suor escorrendo no rosto com uma lâmina afiada cortando a
pele. É imprescindível acatar as ações de chorar, de perder-se e entregar-se. Para
endurecer sem perder a ternura é indispensável manifestar-se por completo em
todos os extremos. Não dá pra omitir, mentir, ocultar... Sem trancafiar-se no redemoinho
da insegurança e da dúvida, petrificando assim os sorrisos bobos, os olhos
brilhando e as borboletas no estômago.
Por fim é importante ressaltar que segredos é um acido que coroe os
sentimentos mais sublimes e genuínos que existem. É o fim de qualquer inicio ou
meio, pois a sua raiz é perversa e cruel, portanto liberte-se.
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