Antes de tentar responder essa questão acredito ser
importante contextualizar a necessidade do por que dela ser feita, existe ao
meu vê que uma melhor compreensão e fortalecimento do combate a esta violência
cada vez mais latente no cotidiano está no viés que esta possível resposta
possa nos levar.
A igreja católica classifica a sexualidade que não
possuem o cunho da reprodução como pecaminosa desprezível degenerada e
pervertida devido à supervalorização da procriação justificada pelos dogmas
católicos como a benção de Deus para a propagação da humanidade e nesse
pensamento um tanto que análogo ao nazismo que afirma uma superioridade e uma
única forma soberana de existência posso por assim dizer que este preconceito
foi pioneiramente instaurado pelo cristianismo. Agora o que eles não percebem
ou não querem é que a defesa dessa vertente heteronormartidade impossibilita a
paz social tão vislumbrada pelos mesmos e potencializa a existência dos
conflitos entre famílias, entre nações, entre pessoas.
Acredito ser indubitável que a homossexualidade
confronta o pensamento católico a respeito do sexo apenas para procriação e da
família monogâmica e isso é assim por que a sociedade catequizada adotou além
do patriarcado, do capitalismo a heterossexualidade como a única orientação sexual
possível descartando e condenando por completo sua variação que existe e é um
fato consolidado respaldado pela simples manifestação do pluralismo sexual que
pertencem ao campo do privado de cada uma e cada um e que não podem impor
inferioridade ou superioridade de uma pessoa sobre a outra.
A sexualidade de qualquer individuo não é critério
que o impossibilite de usufruir do gozo de todos os direitos já constituído
nessa sociedade atroz, se de fato o nosso estado é laico e democrático a
igualdade deve agregar o respeito às diferenças sejam elas qual for nesse
sentido já disse Boaventura de Santos Souza: “ Temos o direito de ser iguais sempre que as diferenças nos
inferiorizam,temos o direito de ser diferente sempre que a igualdade nos
descaracterize.”
Essa ideologia homofobia e sexista se sustentam
também por razões de dominação de um ser sobre outro está intrinsecamente
ligada à luta de classe, a concentração de riquezas na mão de poucos e a
exploração através do trabalho de muitos. Essa relação de poder faz com que o
Direito por conservadorismo puro se exima da responsabilidade constitucional a
de justiça social, a história nos prova que a não aceitação das diferenças, a
repudia das variadas formas e expressão do desejo sexual, o elitismo, o
sexismo, o moralismo e da não inclusão da conjugalidade homossexual no laço
social é repetir atos nazistas, é fortalecer chacinas, é um verdadeiro ultraje
além de espalhar o caos, o medo naquelas e naqueles que assim como Milton
Nascimento e Caetano Veloso sabem que: “qualquer
maneira de amor vale apena; qualquer maneira de amor valerá”.
Por fim ratifico a importância de se atentar para o
combate, para a luta contra a lesofobia, a homofobia, a transfobia de forma ampla
e não fragmentada essa luta apesar de setorial estar fortemente ligada a
questões estruturais e por isso se faz necessário atenção nesses entraves que
são fundamentais para consolidação da criminalização da lesofobia, homofobia, transfobia
além da consagração dos direitos fundamentais já concedidos pela constituição
federal. Erradicar esse preconceito é uma labuta cotidiana que requer os mais variados
“braços” de luta por que é de uma crueldade imensurável punir pessoas como se
fosse uma questão de escolha e nesse ponto especifico Dias e Rocha explica que:
“do mesmo modo como ninguém escolhe
gostar da cor amarela ou de ser do sexo feminino ou masculino, ou de ser negra
ou branca, a pessoa também não escolhe ser homossexual” e assim sendo a
construção de uma sociedade que seja justa, solidaria e igualitária é um dos
caminhos para a extinção de comportamentos discriminatórios.
Bianca Menezes
“O que é,
exatamente por ser tal como é, não vai ficar como está”
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