“nós somos o que fazemos de nós mesmo”
Na
maioria das vezes que o outro me atinge eu reflito: quem eu sou? Faço
esse exercício porque eu acredito verdadeiramente que minhas contribuições
existem em mão dupla e também porque ser parte pra mim
é visceral, tem consigo o doce e o amargo, o dual e o infinito. Além disso,
aprendi desde cedo que todas as minhas cicatrizes me servem tal qual os meus
deleites.
Minhas
intensidades tornam-se extremos que quando me alcançam operam de acordo com as
vibrações do que em mim for efetivo, genuíno, vivo e presente! Meus momentos,
minhas escolhas, minhas ações, minhas vivências constituem as verdades que
produzo para fertilizar a terra que piso, a estrada que caminho, as batalhas
que travo, as guerras que não nego e os desejos que dão sensibilidade a minha
existência.
Quem
eu sou é uma dobra no tempo, está comigo em todos os
ciclos e por isso ter incertezas ou hesitação sobre o que me constitui, só cabe
no tempo de renascer. Porque qualquer movimentação fora dessa etapa faz com que
uma fenda seja aberta, trazendo consigo um traço da bagunça que não é produtiva
muito menos necessária. Embora quem eu seja diga exclusivamente sobre mim,
existe uma conexão direta com as coisas e as pessoas que estão do
lado de lá, porque quem eu sou indica o que quero/preciso ao meu
lado, estabelece meus limites
ilimitados, resolve minhas
tensões, delibera sobre minhas
percas, conquistas e merecimento, determina a
fonte da minha retroalimentação, delineia meus
caminhos, decide as
medidas, estipula o tempo que
aniquila os ciclos, marca minha
trajetória, decreta os
sentidos que proveem o laVivaLaVida e assenta as
desavenças geradas das contendas entre a emoção e a razão.
Saber
sobre quem eu sou e ter feito a opção de me encarar, de me desbravar de
maneira aguda, violenta e profunda para reconhecer as minhas infinitudes, os
meus algozes e as minhas delicias tem sido o meio mais eficaz de permanecer de
pé, em luta e com esperanças. Diante disso, fico nua, me exponho e faço dos
meus defeitos um suporte, um desafio. Ao ter conhecimento do meu pior e do meu
melhor, reconheço a tarefa de trabalhar o que precisa de mudança.
Não
sou inteiramente responsável sobre o que para você eu sou,
porém assumo as corresponsabilidades que esse fato implica e por compreender o
significado dessa relação é que tenho como alternativa continuar a cuidar do
que tenho de mais crucial do lado de cá. Isso
porque independente dos cenários, das dores, do caos, das correntes, da
cegueira, dos amores, das saudades, das perguntas, do tempo, das historias, das
palavras ditas e ações feitas, das vontades, das necessidades, do que trava,
dos medos, da falta de coragem, das escolhas, das circunstâncias, do silencio,
do calor, dos momentos, das vibrações de corpo, de pele, de mente, e de alma...
O que é indispensável para seguramente ser é fortalecido em torno de tudo
aquilo que construímos sob a égide do quem somos.
E
não é por acaso que o passado presente e futuro convergem nessa edificação, ao
longo da vida acumulamos experiências que vão dando o tom dessa musica chamada
eu sou. A partir daí, o que elegemos para construir essa dança que é viver, ter
uma vida e ser honesta com ela prescreverá os passos cardinais que vão compor,
ser pilar e acompanhar/sustentar o nosso equilíbrio, nutrir a nossa existência
e produzir sentido real em meio a farsa, a duvida e o medo.
”pudera eu escolher o que
sentir, sobretudo porque sei que quando faltamos a nós, tudo nos falta.”
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