Escrevivências

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Pra você base VII.


“nós somos o que fazemos de nós mesmo”

Na maioria das vezes que o outro me atinge eu reflito: quem eu sou?  Faço esse exercício porque eu acredito verdadeiramente que minhas contribuições existem em mão dupla e também porque ser parte  pra mim é visceral, tem consigo o doce e o amargo, o dual e o infinito. Além disso, aprendi desde cedo que todas as minhas cicatrizes me servem tal qual os meus deleites.

Minhas intensidades tornam-se extremos que quando me alcançam operam de acordo com as vibrações do que em mim for efetivo, genuíno, vivo e presente! Meus momentos, minhas escolhas, minhas ações, minhas vivências constituem as verdades que produzo para fertilizar a terra que piso, a estrada que caminho, as batalhas que travo, as guerras que não nego e os desejos que dão sensibilidade a minha existência.

Quem eu sou é uma dobra no tempo, está comigo em todos os ciclos e por isso ter incertezas ou hesitação sobre o que me constitui, só cabe no tempo de renascer. Porque qualquer movimentação fora dessa etapa faz com que uma fenda seja aberta, trazendo consigo um traço da bagunça que não é produtiva muito menos necessária. Embora quem eu seja diga exclusivamente sobre mim, existe uma conexão direta com as coisas e as pessoas que estão do lado de lá, porque quem eu sou indica o que quero/preciso ao meu lado, estabelece meus limites ilimitados, resolve minhas tensões, delibera sobre minhas percas, conquistas e merecimento, determina a fonte da minha retroalimentação, delineia meus caminhos, decide as medidas, estipula o tempo que aniquila os ciclos, marca minha trajetória, decreta os sentidos que proveem o laVivaLaVida e assenta as desavenças geradas das contendas entre a emoção e a razão.

Saber sobre quem eu sou e  ter feito a opção de me encarar, de me desbravar de maneira aguda, violenta e profunda para reconhecer as minhas infinitudes, os meus algozes e as minhas delicias tem sido o meio mais eficaz de permanecer de pé, em luta e com esperanças. Diante disso, fico nua, me exponho e faço dos meus defeitos um suporte, um desafio. Ao ter conhecimento do meu pior e do meu melhor, reconheço a tarefa de trabalhar o que precisa de mudança.

Não sou inteiramente responsável sobre o que para você eu sou, porém assumo as corresponsabilidades que esse fato implica e por compreender o significado dessa relação é que tenho como alternativa continuar a cuidar do que tenho de mais crucial do lado de cá. Isso porque independente dos cenários, das dores, do caos, das correntes, da cegueira, dos amores, das saudades, das perguntas, do tempo, das historias, das palavras ditas e ações feitas, das vontades, das necessidades, do que trava, dos medos, da falta de coragem, das escolhas, das circunstâncias, do silencio, do calor, dos momentos, das vibrações de corpo, de pele, de mente, e de alma... O que é indispensável para seguramente ser é fortalecido em torno de tudo aquilo que construímos sob a égide do quem somos.

E não é por acaso que o passado presente e futuro convergem nessa edificação, ao longo da vida acumulamos experiências que vão dando o tom dessa musica chamada eu sou. A partir daí, o que elegemos para construir essa dança que é viver, ter uma vida e ser honesta com ela prescreverá os passos cardinais que vão compor, ser pilar e acompanhar/sustentar o nosso equilíbrio, nutrir a nossa existência e produzir sentido real em meio a farsa, a duvida e o medo.

”pudera eu escolher o que sentir, sobretudo porque sei que quando faltamos a nós, tudo nos falta.”


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