Escrevivências

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Base IV

"O que é, exatamente por ser tal como é, não vai ficar como está."

Durante muito tempo as coisas aconteciam em um ritmo, em uma energia.  Até ontem, a casa era cheia, o entorno era farto, a procura era incansável e o drama era alimentado. Durante muito tempo o freio era desconhecido. Até ontem, tudo era tolerado, esquecido, deixado de lado. Durante muito tempo o cuidado e o amor eram cegos. Até ontem sentimentos sucumbiam à razão, a logica, a verdade. Durante muito tempo a permissão subvertia o amor próprio e valores fundamentais. Até ontem, existia violação. Durante muito tempo o peso era único, carregado por um. Até ontem, não se conhecia o dividir, compartilhar e a troca. Durante muito tempo se aceitou o pouco, o mínimo. Até ontem, bastava os o “de vez em guando”.  Durante muito tempo deixou-se de fortalecer, nutrir, preservar, demostrar. Até ontem dava pra manter em silêncio... Mais só até ontem. 
Hoje são outros tempos, outras necessidades, outras urgências, outros olhares, outras experiências, outros erros, outros desejos, outras obrigações. Não há espaço pra falta de compromisso com o aprendizado, com as lições e a oportunidades que se constituem todos os dias. Não dá pra ficar presa ao que poderia ter sido, ao se e ao replay. Não dá nem pra querer seguir assim. “A arte de perder não tem mistério nenhum 

Se olhar. Vê-se no espelho. Encarar-se.  É sempre a única certeza. É a única coisa da qual você precisa para conseguir ser, para tornar-se. É a única ferramenta que nunca deve ficar sem lubrificação. É ela o (re) inicio, a continuidade, o fluxo e o cerne. Por isso, deve ser feita todos os dias, nas horas vagas, nos momentos ruins e bons. Por que é lá a morada das certezas. É a fonte da sanidade. É o norte, a bússola. É sua mão dupla, seu transito, seu chão. Olhar pra si e se vê. No âmago das coisas a gente geralmente sabe do que precisa talvez o que nos falte seja um pouco mais de coragem.

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