Desconstruir opiniões formadas,
diluir conceitos estagnados, desfazer impressões, mudar conclusões, suavizar sensores
de alerta, revitalizar desgastes, abstrair cansaços, superar decepções, fazer
constantes exercícios de compreensões e paciência, liberar-se de julgamento e confissões,
reconhecer limitações, assumir erros, expor fragilidades, ser
racionalmente-emocional, torna-se a mudança que se acredita ser necessário no
planeta, seguir firme e fortalecida apesar das contradições...
Tudo isso é simples.
Ou pelo menos deveria...
A cada dia da minha metamorfose fico
um pouco assustada com a capacidade que nós seres humanos temos de complicar e martirizar
sentimentos, escolhas e problemas. Sinceramente, varias questões me perturbam. Ainda
bem! Só conseguir de fato por em pratica mudanças depois de profundas ‘pancadas
da vida’ aliadas a ‘zilhões’ de perguntas sem resposta. Aquele velho abalo
nas estruturas, que te impulsiona obrigatoriamente agir,reagir,mudar,decidir
algo que vá Intervir na sua concepção de vida e lhe proporcionar uma
tranquilidade para seguir sobrevivendo... O detalhe maior disso é que a real
necessidade é de VIVER!
Todo gesto de cuidado
é importante.
Esse sistema machista,
patriarcal, lesofobico, racista, imperialista e capitalista espalha mazelas. Que
as pessoas absorvem e compartilham por que infelizmente ainda estão alienadas, e,
por conseguinte sustentam e hiper valorização a coisificação de si próprio
e do outro. Essa triste relação, a meu ver, ganha mais força quando o individuo
trava consigo mesmo os seus próprios conflitos. Advindos de frustrações,
decepções, desencontros, dificuldades... Em outras palavras, não existe
liberdade, não existe direito, não existe o que construir, não existe escolhas,
não existe mudanças, não existe tempo... O que existe são definições,
imposições, modelos a seguir, aprendizado formatado, sentenças de comportamento,
acusações e sim por gentileza, uma enorme porção da brincadeira de ser feliz.
Quem quer, faz. Quem
não quer, arranja uma desculpa.
Talvez exista um excesso de
radicalismo nas estrelinhas destas escritas e com certeza há uma intolerância a
perda do aprendizado constante para além dos acúmulos de experiência. Ser um agente social de transformação, para mim, antes de tudo significa mudar-se.
Despertei para os absurdos que infelizmente são cotidianamente naturalizados e
decidi lutar, intervir e mudar, sobretudo a mim. Imagino que para conseguir a imunidade
(seguir apesar das oscilações) se faz necessário enraizar no conhecido quem sou
eu? Os princípios que fortalecem o sentido de continuar a me indignar,
revoltar, questionar apesar de ser apontada como a chata, a neurótica, a diferente...
Optei por não fragmentar. E isso implica no eterno e continuo exercício de
revisão, paciência e compreensão, expondo os ‘patinhos feios’, as fragilidades
e o coração. A tensão maior se concentra em obter a tranquilidade determinante
para enxergar e acalmar-se devido os percalços que esta escolha possui. Paralelamente
e simultaneamente as coisas acontecem. O tempo não congela, não aciona o freio
para que esta ou qualquer outra organização se solidifique e essa dinâmica exige
sempre um pouco mais para tudo em tudo!
Melhor que a palavra, só o exemplo.
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