Escrevivências

quarta-feira, 17 de abril de 2013

.Lembrete.


Desconstruir opiniões formadas, diluir conceitos estagnados, desfazer impressões, mudar conclusões, suavizar sensores de alerta, revitalizar desgastes, abstrair cansaços, superar decepções, fazer constantes exercícios de compreensões e paciência, liberar-se de julgamento e confissões, reconhecer limitações, assumir erros, expor fragilidades, ser racionalmente-emocional, torna-se a mudança que se acredita ser necessário no planeta, seguir firme e fortalecida apesar das contradições...

Tudo isso é simples. Ou pelo menos deveria...

A cada dia da minha metamorfose fico um pouco assustada com a capacidade que nós seres humanos temos de complicar e martirizar sentimentos, escolhas e problemas. Sinceramente, varias questões me perturbam. Ainda bem! Só conseguir de fato por em pratica mudanças depois de profundas ‘pancadas da vida’ aliadas a ‘zilhões’ de perguntas sem resposta. Aquele velho abalo nas estruturas, que te impulsiona obrigatoriamente agir,reagir,mudar,decidir algo que vá Intervir na sua concepção de vida e lhe proporcionar uma tranquilidade para seguir sobrevivendo... O detalhe maior disso é que a real necessidade é de VIVER!

Todo gesto de cuidado é importante.

Esse sistema machista, patriarcal, lesofobico, racista, imperialista e capitalista espalha mazelas. Que as pessoas absorvem e compartilham por que infelizmente ainda estão alienadas, e, por conseguinte sustentam e hiper valorização a coisificação de si próprio e do outro. Essa triste relação, a meu ver, ganha mais força quando o individuo trava consigo mesmo os seus próprios conflitos. Advindos de frustrações, decepções, desencontros, dificuldades... Em outras palavras, não existe liberdade, não existe direito, não existe o que construir, não existe escolhas, não existe mudanças, não existe tempo... O que existe são definições, imposições, modelos a seguir, aprendizado formatado, sentenças de comportamento, acusações e sim por gentileza, uma enorme porção da brincadeira de ser feliz.

Quem quer, faz. Quem não quer, arranja uma desculpa.

Talvez exista um excesso de radicalismo nas estrelinhas destas escritas e com certeza há uma intolerância a perda do aprendizado constante para além dos acúmulos de experiência. Ser um agente social de transformação, para mim, antes de tudo significa mudar-se. Despertei para os absurdos que infelizmente são cotidianamente naturalizados e decidi lutar, intervir e mudar, sobretudo a mim. Imagino que para conseguir a imunidade (seguir apesar das oscilações) se faz necessário enraizar no conhecido quem sou eu? Os princípios que fortalecem o sentido de continuar a me indignar, revoltar, questionar apesar de ser apontada como a chata, a neurótica, a diferente... Optei por não fragmentar. E isso implica no eterno e continuo exercício de revisão, paciência e compreensão, expondo os ‘patinhos feios’, as fragilidades e o coração. A tensão maior se concentra em obter a tranquilidade determinante para enxergar e acalmar-se devido os percalços que esta escolha possui. Paralelamente e simultaneamente as coisas acontecem. O tempo não congela, não aciona o freio para que esta ou qualquer outra organização se solidifique e essa dinâmica exige sempre um pouco mais para tudo em tudo!

Melhor que a palavra, só o exemplo.

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